EDITORIAL – O LADO BOM DE TERCEIRIZAR SERVIí‡OS DO BALONISMO

26 de abril de 2015

 

 

Por Fausto Junior

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Filosoficamente, várias correntes de pensamento de administração pública, que, afinal, é o setor da sociedade que administra os impostos pagos pelos cidadãos (que aqui no Brasil beiram a 40% de tudo que consumimos ou produzimos), debatem em polos opostos a questão da terceirização de serviços.  No setor público, a questão é discutida na esfera do olhar polí­tico. Por um lado, leva em conta   o domí­nio das coisas, quando o serviço é feito de forma direta, por departamentos dos órgãos públicos, pois os servidores são contratados pelo mesmo governo que planeja o resultado final do trabalho em analise.  Por outro lado, os gestores levam em conta a questão da eficiência, pois neste aspecto é notória e publica a diferença final entre um serviço publico e o mesmo serviço realizado pela iniciativa privada. Números divulgados por institutos que medem a produtividade no trabalho revelam que, para cada trabalhador privado, são necessários três trabalhadores públicos para realizar a mesma tarefa. í‰ um tema de pólo institucional, que tem gente dos dois lados para provar que o seu pensamento é mais correto, como tudo na polí­tica.

Em cidades que vivem do Turismo como Torres, esta questão vai mais além. Em cidades turí­sticas, os eventos que trazem públicos aos destinos como o nossos são fundamentais: mexem com a atividade econí´mica principal dos municí­pios. Mas muitas vezes, estes mesmos eventos – de certa forma vitais para o andamento da normalidade local –  se tornam pesados para os cofres municipais, já que o orçamento das cidades exige muito investimento em Saúde, Educação, Infraestrutura e Bem Estar Social. E em cidades que vivem do Turismo esta demanda não é diferente. A terceirização de eventos já formatados e vencedores que fazem parte do calendário de Torres, portanto, deveriam ser um norte. A tendência da terceirização total acaba fazendo com que, ao final, a prefeitura entre nos eventos com a cidade e a disponibilidade logí­stica e legal; as empresas que realizam o evento entram com o resto, o plano de receita e despesa do mesmo, com os í´nus e os bí´nus naturais em empreendimentos privados. E foi o que a prefeitura de Torres, através da secretária de Turismo Viviane Rocha, fizeram neste ano de 2015. Ao pagar R$ 200 mil para uma empresa se responsabilizar totalmente pelos shows do Balonismo (contratação de bandas, montagem de palco, contratação de aparelhagem de som, montagem do circo dos shows com infraestrutura, com banheiros e contratação de segurança, além de se responsabilizar com a bilheteria e seus controles e legislação) e outra para terceirizar o estacionamento, a prefeitura inicia um processo de terceirização total do Festival anual torrense. Epode ser o iní­cio da terceirização do Réveillon, outra atividade importantí­ssima no calendário do Turismo de Torres, que é pequeno, mas, justamente por isto, estes eventos já são tradicionais, vencedores e necessários, quase vitais.

Eventos como o Festival de Balonismo ou o como nosso Réveillon são exemplos claros desta possí­vel atitude governamental local. Se gasta, em geral, praticamente R$ 2,5 milhíµes nas duas festas que trazem Turismo pra cidade. Sabe-se que elas, além de promoverem a Marca Torres no cenário nacional e estadual como ponto privilegiado de destino de férias e lazer, movimentam o comércio e o trade do turismo torrenses, sempre sofrendo com a sazonalidade de suas atividades por sermos uma cidade de verão, ainda… Mas sabe-se também que R$ 2,5 milhíµes é MUITO dinheiro para Torres. Representa praticamente 2,5% do orçamento (real) total. Além disto, o departamento de Turismo da cidade (secretaria) gastava antes, quase que 100% do seu tempo planejando, montando e desmontando os circos das atividades de fomento ao turismo local. E neste ano de 2015, com a terceirização parcial, se testa outro formato, tecnicamente mais moderno e eficiente. Com a terceirização, evita-se outra mazela. í‰ que existe sempre a tendência do excesso de paroquialismo exigido por fornecedores contratados pela prefeitura. A pressão polí­tica para que se contratem amigos do Rei, ao invés de pessoas melhor preparadas é muito grande. E o resultado é o engessamento das atividades de Turismo local. Falta dinheiro para se by browseonline">investir em infraestrutura e falta tempo para os trabalhadores alocados nesta secretaria possam planejar outras coisas bem mais efetivas para o fomento da indústria do turismo local, nosso maior produto gerador de emprego & renda. E, mais uma vez, com a terceirização implementada neste ano, dá espaço para um teste do novo modelo de se realizar o Balonismo.

Enquanto a sociedade e os polí­ticos da cidade de Torres avaliarem o Turismo público local tão somente medindo o número de pessoas que compareceram no Balonismo e no Réveillon; ou avaliando baseados na qualidade dos shows trazidos pelos secretários, medidos pelo gosto local, nossa cidade continuará engessada e nada será possí­vel fazer. Penso que há de se terceirizar, sim, o Réveillon e o Balonismo, para que Torres vire uma nova página em sua história: trabalhe efetivamente como uma cidade turí­stica moderna e competitiva; use seu tempo e dinheiro para criar e fomentar mais evento, realizar obras importantes, a verdadeira missão dos gestores de turismo públicos das cidades.

í‰ compreensí­vel o reclame da outra corrente de pensamento, que sugere, ao contrário, que a cidade construa um parque, que a cidade faça os eventos sem nenhuma terceirização; e outras demandas da corrente oposta í  da corrente da Terceirização, defendida neste editorial. Talvez em outro momento, com orçamentos mais flexí­veis e maiores, a cidade possa a voltar a pensar em verticalizar os eventos, evitando a terceirização. Mas o que acontece em todo o mundo sugere o contrário: terceirizar e contratar bem a empresa terceirizada é a receita para os eventos, de turismo e de outras atividades que mexem com o setor.

 

 

A tendência da terceirização

 acaba fazendo com que, ao final, a prefeitura

 entre nos eventos com a cidade e a disponibilidade logí­stica

 e legal; as empresas que realizam o evento

 entram com o resto


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